O desafio do meu irmão por suas próprias palavras

Minha Primeira Maratona – Experiência Mágica e Lições Vitais por Fábio Girolla

Foi com muita satisfação que recebi o convite do meu irmão Rodrigo para que passasse um pouco do que foi a minha experiência na maratona da Disney, realizada neste último dia 13/01. Não há como não seduzir-se por uma maratona. É uma prova que exige e entrega energia na mesma proporção. É incrível como uma prova dessa envergadura nos modifica fisicamente e mentalmente. Sem dúvida nos tornamos pessoas melhores e mais fortes depois dessa experiência que na minha modesta opinião todos deveriam experimentar ao menos uma vez em suas vidas.

É verdade que uma empreitada dessa dimensão exige uma dose considerável de dedicação, sem falar das renúncias diversas que temos que fazer durante o período de treinamento. Mas nesse momento posso dizer a todos com total segurança: vale a pena, vale muito a pena!!!

Mas vamos ao que interessa; depois de ter cumprido a risca as 13 semanas de treinamento propostas pelo nosso treinador, retratadas resumidamente no blog, embarcamos no dia 05/01 para Orlando. Ao chegarmos iniciamos uma “maratona” de passeios e compras, algo que deveria ser impensável, uma vez que em poucos dias estaria enfrentando a “temida” primeira maratona. Tal fato certamente foi fruto da inexperiência e dele pude extrair minha primeira lição vital: “evite chegar muitos dias antes da prova, o ideal e no máximo três dias antes, deixando o turismo para depois da prova”. A chegada antecipada acabou provocando um desgaste desnecessário e até desviou um pouco o foco da prova, pois o entretenimento com turismo e compras dispersou a atenção e relegou a um segundo plano coisas fundamentais como descanso e os cuidados com a alimentação.

Fiz apenas um treino no dia 08/01, uma rodagem de 5k com pace de 6:15/km seguido de mais 8k em ritmo de 4:24/km. Na sexta, dia 11/01, acompanhei minha esposa Tamara na sua estreia na prova Family Run Fun 5k. Por tratar-se de um evento familiar, com muitas crianças participando, o ritmo foi bastante lento (inclusive para ela) servindo apenas como uma recreação.

Sábado, dia 12/01, foi único dia que fiquei efetivamente descansando no hotel. Procurei cuidar com a alimentação e como estava um calor atípico (coisa de 26-27c) aproveitei a piscina para relaxar. Devo ter tomado uns 3,5 litros de água e isotônico nesse dia. Optei por jantar uma massa as 18h00min e logo me recolhi para o quarto, pois teria que ir para o EPCOT, local da largada as 03h20min da madruga. Deixei minha roupa pronta, número de peito já fixado na camisa, etc.

Não consegui “pregar” os olhos, ansiedade em alta, sono em baixa. As 02h30min fui tomar banho e me arrumar e em seguida ao restaurante do hotel. Como não havia disponíveis os itens que normalmente utilizo no café da manhã optei por um iogurte e uma bolacha doce com geleia. Vale um adendo: Estava tão nervoso que acabei esquecendo de tomar os suplementos recomendados para antes da prova pela nutricionista (BCAA etc.). Quando me dei conta já era tarde demais. Vale a pena pensar em anotar tudo que precisa ser feito previamente para não correr risco de esquecer coisas importantes, como foi no meu caso.

Chegando ao EPCOT me despedi da minha esposa e já fui me dirigindo para o corral ao qual estava designado. É impressionante a organização dessa prova. Embora sejam 25 mil corredores (sem falar os familiares) tudo é muito rápido de forma que a espera é insignificante (quer seja no transporte, acesso ao corral, etc.). A emoção de estar ali na largada, cercado de gente de todos os cantos do mundo (nesta prova estiveram presentes representantes de 46 países) e indescritível. Depois do hino americano e aos anúncios de praxe foi dada a largada para o nosso corral, pontualmente as 05h35min.

Que emoção!!!! Enfim estava correndo a minha primeira maratona. A estratégia, com base nos longos que fiz, seria correr com um pace linear entre 5:10/5:20/km para tentar fechar a prova sem caminhar com um sub 4h, ou quem sabe 3h45m. Como tive problemas no segundo semestre com um encurtamento muscular na perna esquerda não havia certeza se esse ritmo poderia ser sustentado até o final ou se haveria espaço para ir um pouco mais rápido. As minhas referências eram bastante precárias.

Embora estivesse largando no corral A logo atrás da Elite o pace nos primeiros 2k ficou entre 5:15/5:17, ou seja, próximo do que havia previsto, o que para mim estava perfeito! A partir dos 3k encostei no pace team que corria para 3h35m. Acompanhei esse grupo até os 7k, quando percebi que dava para apertar um pouco mais. Dali em diante mantive o pace em torno de 5:00/km. Lá pelos 10k comecei a sentir um leve desconforto na minha perna esquerda e como sabia que aumentaria com o tempo resolvi apertar o ritmo. Passei a rodar com pace em torno de 4:50/km (muito abaixo das minhas melhores expectativas). O meu pensamento naquele momento era tentar ganhar o máximo de tempo para poder compensar na parte final da prova, pois sabia que lá a minha perna abriria o bico de qualquer jeito. E assim os km foram passando; fechei os 16k com 1h20m09 (Pace 5:01/km) a meia maratona em 1h44m40 (Pace 4:59/km) e os 32k em 2h39m09 (Pace 4:58/km) ou seja, nesse ritmo fecharia a maratona em 3h28m!!!!!

Entretanto a partir dos 35,7k as coisas começaram a complicar, o desconforto aumentou significativamente, forçando a cada vez mais encurtar a passada e com isso gastar proporcionalmente mais energia para manter o ritmo. Ainda mantive um pace próximo a 5:00/km até os 37k, mas dali em diante tive que reduzir o ritmo e começar a caminhar nos postos de hidratação (foram dois ou três) para tentar me preservar ao máximo. Com 39,5k tive a primeira câimbra (leve) e novamente caminhei alguns metros. Voltei a correr, mas quando meu GPS marcava 41,4k veio à ferroada fatal! Uma dor muito forte na panturrilha esquerda! Parei imediatamente e caminhei uns 5 ou 6 passos. Como faltava pouco tentei voltar a correr, mas a perna “puxou” novamente. Para minha sorte estava no EPCOT e tinha alguns bancos ao longo do percurso, sentei, alonguei alguns segundos e voltei em um último esforço a correr. Com todo cuidado do mundo percorri a última curva e entrei na reta de chegada (com uma grande torcida) correndo os metros finais em ritmo leve e conseguindo dessa forma concluir a minha primeira maratona. Ao olhar para o GPS veio a surpresa: 3h34m44s (Pace 5:03); quase não acreditei!!!!!

Minha estratégia de apertar o ritmo a partir dos 10k tinha dado certo e consegui mesmo que caminhando em alguns trechos finais um tempo excepcional dada às circunstancias e muito acima das minhas previsões iniciais. E aí veio a minha segunda lição vital: “por mais que você tente planejar a sua prova, tudo é imprevisível e a melhor estratégia e seguir o seu coração, pois ele dificilmente erra”.

Assim, conclui o meu desafio. É verdade que a meta de completar a maratona sem caminhar não foi atingida, mas isso fará parte de uma segunda história, muito provavelmente em Londres em abril de 2014. Até mais!

Você pode gostar...

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *