Vamos falar de frustração

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Certa vez li numa obra, que frustração é o resultado negativo de uma equação matemática muito simples: aquilo que você tem, menos aquilo que você anseia ter. Faz sentido. Já no dicionário, é catalogada como o “estado de um indivíduo quando impedido por outrem ou por si mesmo de atingir a satisfação de uma exigência pulsional.” Exigência pulsional, ou seja, fortemente emocional, impulsiva. Pouco importa, sob qualquer ângulo, frustração é uma expectativa que não se realizou. Como você lida com a frustração?

Pois o esporte pode ser uma escola interessante para aprendermos a lidar e superar os momentos de frustração. Eu havia decidido participar da etapa Insano, promovida pela franquia Heróis do Triathlon, do Paraná. Inicialmente programada para o mês de julho, em Penha/SC, onde costumamos veranear e fazer os nossos simulados, foi cancelada por motivos questionáveis.

Eu havia treinado durante oito semanas, ou seja, estava na penúltima semana de treinos quando, num sábado, antes de um longo de bike, amigos meus noticiaram o cancelamento da prova. Um baque, sem dúvida, afinal, eu estava me preparando da melhor forma possível ao longo de dois meses. A frustração só não foi maior porque decidi reaproveitar a inscrição para a etapa Insano de Guaratuba/PR, com as mesmas características, em setembro. Minha mente internalizou que era “apenas” uma postergação. Mais tempo para me preparar. Frustração passageira.

Após a ducha de água fria inicial, foram três semanas de descanso quase que total, de pura e gostosa alienação esportiva, para então recomeçar o “novo” ciclo objetivando a meta de setembro. Assim procedi. Eu estava me sentindo muito bem, fechando a nona semana de treinos em São Paulo, quando percebi que o projeto profissional que eu estava envolvido adentraria ao final de semana, justamente o final de semana da prova. Hotel reservado, família recrutada e empolgada, corpo trabalhado. E agora? Não havia como deixar o escritório e o cliente na mão, afinal, são eles que sustentam este hobby e não o inverso.

É claro que baqueei, quem não ficaria frustrado? Era simplesmente a principal prova e meta do meu ano esportivo. Você abre mão de uma série de compromissos sociais e familiares para fazer frente a sua preparação esportiva. Diagnóstico: tristeza, tensão emocional, raiva, etc. Prognóstico? Atitude. Você precisa reprogramar a sua mente! São estes momentos ímpares que nos fazem melhorar, crescer e ficar mais fortes. Foi o que fiz, me dediquei ao projeto profissional mais ainda, de corpo e alma, como se insano fosse, para que todos chegassem ao respectivo fim colimado. Chegamos! O projeto finalizou, de fato e de direito, mais de uma semana depois, entretanto, senti-me com a alma lavada e de dever cumprido.

Aprendi mais duas importantes atitudes oriundas do esporte, a primeira delas é que você precisa continuar olhando para frente. Olhar para trás, apenas se for para aprender com os erros, mas nunca para servir de alimento para a frustração, alimentando um ciclo extremamente vicioso, danoso e, a segunda, que a despeito de você não ter condições de participar de uma prova por razões repentinas, ninguém tirará de você as semanas de treino e o investimento feito no seu corpo e na sua mente. A frustração sempre será passageira, assim como a dor.

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